O corpo sofre uma agressão.
Ele se desestabiliza, rompem-se as estruturas até então consistentes.
Abala-se,
perde pele,
se desnuda.
Nessa situação encontra-se suscetível
às invasões e estímulos oriundos do ambiente.
Fragilizado, percebe que isso provoca grandes e pequenos movimentos internos,
dialéticos,
circulares.
Estando o corpo caindo num precipício, algo o modifica,
ele não se sustenta, não se segura,
o movimento é a queda livre e não há como pará-la,
a não ser quando encontra-se o chão.
Mas nesse caso não há chão, há o vazio.
Pensamentos o afetam numa velocidade em que não podemos detê-los,
ou podemos.
Acontece que, se os detemos não sentimos a queda.
O corpo que se encontra no movimento vertical ocasionado pela lei da gravidade não é o mesmo corpo do início da queda.
Aqui, também é preciso desnudar-se, a fim de ser invadido pelo vento provocado pelo rompimento do ar pelo corpo.
O corpo vai conhecendo o vazio e modificado, modifica os vazios seguintes à queda, digamos,
o corpo pode experimentar diversas formas de cair transformando o ar através de seus movimentos.
É importante que se perceba o deslocamento,
mesmo que este esteja confuso.
Então, corpo e vazio tocam-se
em maneiras e momentos distintos,
modificam-se.
Há uma relação.
Ou melhor,
há a relação a partir do momento que corpo e vazio deixam-se expostos e abertos a perceberem-se mutuamente.