sexta-feira, junho 4

brecha pra um corpo devaneante - momentos de um corpo investigativo

O corpo sofre uma agressão.

Ele se desestabiliza, rompem-se as estruturas até então consistentes.

Abala-se,

perde pele,

se desnuda.

Nessa situação encontra-se suscetível

às invasões e estímulos oriundos do ambiente.

Fragilizado, percebe que isso provoca grandes e pequenos movimentos internos,

dialéticos,

circulares.

Estando o corpo caindo num precipício, algo o modifica,

ele não se sustenta, não se segura,

o movimento é a queda livre e não há como pará-la,

a não ser quando encontra-se o chão.

Mas nesse caso não há chão, há o vazio.

Pensamentos o afetam numa velocidade em que não podemos detê-los,

ou podemos.

Acontece que, se os detemos não sentimos a queda.

O corpo que se encontra no movimento vertical ocasionado pela lei da gravidade não é o mesmo corpo do início da queda.

Aqui, também é preciso desnudar-se, a fim de ser invadido pelo vento provocado pelo rompimento do ar pelo corpo.

O corpo vai conhecendo o vazio e modificado, modifica os vazios seguintes à queda, digamos,

o corpo pode experimentar diversas formas de cair transformando o ar através de seus movimentos.

É importante que se perceba o deslocamento,

mesmo que este esteja confuso.

Então, corpo e vazio tocam-se

em maneiras e momentos distintos,

modificam-se.

Há uma relação.

Ou melhor,

há a relação a partir do momento que corpo e vazio deixam-se expostos e abertos a perceberem-se mutuamente.

Um comentário:

Giacomelli disse...

Lambidinha?!